A única maneira de não ter medo é aceitar o medo


Perguntaram a Osho:

O medo e a culpa são a mesma coisa? Assim como a luz ilumina a escuridão, Jesus deve ter deixado as pessoas conscientes de sua culpa.

O medo e a culpa não são a mesma coisa. O medo aceito se transforma em liberdade; o medo negado, rejeitado, condenado, transforma-se em culpa. Se você aceitar o medo como parte da situação...

Ele é parte da situação. O homem é uma parte, uma parte muito pequena, minúscula e o todo é amplo: uma gota, uma gotícula, e o todo é o oceano inteiro. Um medo surge: “Posso me perder no todo; minha identidade pode se perder.” Esse é o medo da morte. Todo medo é o medo da morte. E o medo da morte é o medo da aniquilação.

É natural que o homem seja assustado, temeroso. Se você o aceitar, se disser que a vida é assim, se o aceitar totalmente, o temor pára imediatamente e o medo - a mesma energia que estava se transformando em medo - retrocede e se transforma em liberdade. Então você percebe que, mesmo que a gota desapareça no oceano, ela estará lá. Na verdade, ela se tornará o oceano inteiro. E então, a morte se transforma em nirvana, e você não tem medo de se perder. E entende a frase de Jesus: “Se salvar sua vida, irá perdê-la, e se perdê-la, irá salvá-la.”

A única maneira de superar a morte é aceitar a morte. E então, ela desaparecerá. A única maneira de não ter medo é aceitar o medo. Assim, a energia é liberada e transformada em liberdade. Mas se você o condena, se o reprime, se esconde o fato de estar com medo - se você usa uma armadura para se proteger e ser defensivo - então surge a culpa.

Qualquer coisa reprimida cria a culpa; qualquer coisa não permitida dá espaço para a culpa; tudo que vai contra a natureza cria culpa. E então, você se sente culpado por ter mentido para os outros e para si mesmo. Essa falta de autenticidade é a culpa.

Você pergunta: “O medo e a culpa são a mesma coisa?” Não. O medo pode ser a culpa, mas pode não ser. Depende do que você faz com o medo. Se faz alguma coisa errada com ele, ele se transforma em culpa. Se simplesmente o aceita e não faz nada a seu respeito - não há nada a se fazer! - então ele se transforma em liberdade, se transforma na ausência de medo.

“Assim como a luz ilumina a escuridão, Jesus deve ter deixado as pessoas conscientes de sua culpa.” Não, de maneira alguma. Jesus tentava ajudar as pessoas a não se sentirem culpadas. Esse era seu objetivo. Seu objetivo era dizer para as pessoas aceitarem a si mesmas e não se sentirem culpadas, não se sentirem condenadas. Não diga a si mesmo que você é feio, errado, um pecador. Não condene. Seja lá o que você for, você é. Aceite o fato, e a simples aceitação torna-se uma transformação.

Jesus nunca criou a culpa nas pessoas. Esse foi um de seus crimes. Ele tentava alegrar as pessoas culpadas - esse foi seu crime. Ele tentava dizer a elas: “Não seja culpado, não se sinta culpado. Mesmo que haja algo de errado, você não está errado. Talvez você tenha agido de maneira errada, mas seu ser não é errado por causa disso.” Algumas ações podem estar erradas, mas o ser está sempre certo.

Ele aceitava as pessoas; os pecadores ficavam à vontade com ele, sentiam-se bem com ele. Isso se transformou em um problema. Os rabinos, bispos, padres começaram a dizer: “Por quê? Por que você permite que os pecadores fiquem com você? Por que você come com eles, por que dorme com eles? Por que existem tantos párias seguindo você?”

Jesus dizia: “É assim que tem de ser. Eu vim para aqueles que estão doentes. Os doentes procuram o médico, aqueles que já estão saudáveis não precisam. Vá e pense sobre isso.” Jesus dizia: “Eu vim para os doentes, para os enfermos. Preciso apoiá-los e deixá-los fortes. Tenho de trazê-los à luz, preciso trazer vida a eles outra vez, para que a energia deles se torne dinâmica e fluente.”

Não, Jesus é uma luz que não mostra a escuridão. Na verdade, quando a luz está presente, a escuridão desaparece. A escuridão não é mostrada pela luz; ela desaparece diante da luz.

Essa é a diferença. Se um sacerdote está presente, ele mostrará a escuridão. Ele não é uma luz; não pode destruir a escuridão. Ele fará com que você se sinta culpado. Ele criará pecadores - ele condenará e vai deixá-lo morrendo de medo. Ele criará uma ganância e um desejo pelo céu e suas recompensas. No mais, ele pode criar mais medo e mais ganância em você. Isso é o que o céu e o inferno são: projeções de medo e ganância.

Mas quando um Jesus, um sábio, aparece, a escuridão é simplesmente destruída. Quando a luz está presente, a escuridão não é mostrada. A escuridão não existe, porque a escuridão é apenas a ausência de luz.

Se há uma escuridão na sala e eu dou a você uma lâmpada dizendo: “Vá. E leve a lâmpada com você, porque com ela será fácil ver a escuridão...” Se você entrar na escuridão, como conseguirá ver a escuridão? - parece lógico. Mas é absurdo! A escuridão só pode ser vista quando não existe luz. Se você levar a luz consigo, nunca será capaz de ver a escuridão, porque uma vez que a luz estiver presente, a escuridão não existirá mais.

Jesus simplesmente destrói a escuridão, ele destrói a culpa. Ele cria esperança, ele cria confiança. As pessoas que são condenadas há muito tempo perderam sua esperança. Aceitaram seu pecado, aceitaram sua vida feia, e sabem que nada pode ser feito agora. Elas só podem esperar o inferno. Elas aceitaram a idéia de que serão jogadas no inferno e que têm de sofrer.

Jesus vem e ajuda as pessoas a saírem de sua escuridão fechada. Ele diz: “Não existe inferno.” Ele diz: “Saia. Exceto por sua ignorância, não existe inferno; exceto por sua própria reclusão, não existe inferno. Saia dele, flua novamente. Descongele-se e derreta-se, e viva a vida outra vez. Venha para a luz do sol. Deus está disponível.”

É por isso que ele diz: “Volte, o reino de Deus está à disposição.” Ele não diz que, se você for um pecador, então a volta levará muito tempo, e se for um homem religioso e respeitável, a volta levará menos tempo, não.

Pense em tudo isso como se tivesse tido um longo sonho no qual você fosse um pecador. Outra pessoa no mesmo quarto está sonhando que ele é um santo. Você levará mais tempo para acordar do seu sono do que o homem que está sonhando ser um santo? O santo e o pecador estavam sonhando. Eles demorarão o mesmo tempo para acordar de seu sono.

Paradoxalmente, às vezes tomará mais tempo o santo, porque ele está tendo um sonho muito bonito. Ele não quer deixá-lo. O pecador já está em um pesadelo. Ele gostaria de deixá-lo; está chorando, gritando, para que, de alguma forma, consiga sair. Está fazendo muito esforço para sair. O sonho não é bonito, o sonho é feio. Ele está em um inferno. Mas o santo pode não querer ser interrompido. Ele gostaria de virar para o lado e dormir mais um pouco.

Lembre-se, quando você se sente feliz, voltar é difícil; quando se sente infeliz, voltar é fácil. Esse é o sentido do ditado: “Há males que vêm para o bem.” Quando alguém está feliz e tudo está indo bem, quem se preocupa em transformar a si mesmo?

Quando alguém está triste, com um pesar profundo, sentindo-se muito mal, chorando, então essa pessoa gostaria de sair dessa tristeza. O sofrimento também é bom, pois ele dá uma oportunidade de acordar, de sair de seu sono. Não há nada de errado se você puder usá-lo corretamente. Até mesmo venenos podem ser usados como remédios e podem tornar-se bons para a vida.

Se você se sente culpado, tente ver porque está se sentindo assim. Sim, o homem é impotente. Certo! O homem é ignorante - isso está certo, também. Em sua ignorância, ele tem feito muitas coisas que não são como deveriam ser - isso também está certo. Aceite essa impotência, essa ignorância, e reze. Deixe suas lágrimas rolarem, confesse, se arrependa, diga a Deus: “Eu fui impotente, eu fui ignorante, e não consegui fazer melhor. E ainda não posso fazer melhor, a menos que o Senhor me ajude. Como estou, vou voltar a errar. Como estou, novamente vou traí-lo. Não posso contar comigo mesmo. Ajude-me. Apenas sua graça pode me salvar.”

É por isso que o ensinamento de Jesus é: peça a graça de Deus, não acredite em si mesmo - porque foi exatamente essa crença que foi o seu erro.

Não, ele nunca criou a culpa em ninguém. Ele tentava livrar as pessoas da culpa.

Osho, em "Viva ao Máximo!"

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