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Alcoolismo e meditação

[Osho a um discípulo:] Você quer perguntar alguma coisa?
[Discípulo:] Não, na verdade não... exceto confessar algo a respeito do qual gostaria de ser ajudado. Eu bebo demais. Preciso parar com isso?
[Osho:] Não, não, não há necessidade de parar agora. Isso se tornou um hábito há tanto tempo que, parando, criará problemas. Já entrou no corpo. Não precisa se preocupar. Apenas admita isso e não se sinta culpado.

pelo menos duas horas por dia para a meditação e, então, pouco a pouco, você se tornará tão silencioso e feliz, tão despreocupado, que o desejo de beber começará a desaparecer.

Quando o desejo começar a desaparecer, comece a reduzir o consumo; antes disso, não. Se você fizer isso antes, será destrutivo para o corpo. Se você forçar isso, criará um conflito interior. E tudo o que reprimimos acaba tirando revanche.

Assim, se por dois ou três dias você se reprimir, no quarto dia você beberá, e beberá demais. Isso é inútil. Por isso, não se preocupe. Em vez de lutar contra, comece a meditar.

Beber simplesmente mostra que tem havido problemas, problemas que você não conseguiu resolver... preocupações das quais não houve escapatória. O único meio que você pôde encontrar foi tornar-se inconsciente. Esse é um expediente para se livrar dos problemas e das preocupações. E existem preocupações e problemas na vida.

Assim, agora, a única coisa que pode ajudar é esquecer tudo a respeito disso. Até mesmo esta ideia - de que é preciso abandonar a bebida - abandone-a também. Aceite-a. Isso aconteceu, e agora o passado não pode ser mudado, portanto não fique preocupado.

Não crie uma nova preocupação. Simplesmente medite e torne-se cada vez mais silencioso. Então verá que o desejo de beber, pouco a pouco, desaparecerá.

Tenho visto desaparecer em muitas pessoas. Chega um momento no qual você não pode mais beber - só então abandone a bebida, antes não. Na verdade, você não a abandona; ela cai por si mesma.

Sou sempre a favor dos métodos muito naturais a respeito de tudo. Sou contra todos os sentimentos de culpa e não quero criar sentimentos de culpa em ninguém. Foi assim que a vida aconteceu para você. O que você pode fazer? Não há nenhum sentido em lutar contra isso, mas há um meio de mudar a visão interior.

Por exemplo, se você se tornar mais feliz e mais silencioso, você não será capaz de beber muito, porque para beber a pessoa precisa estar muito, muito infeliz. No fundo, alguma infelicidade precisa existir; e, então, podemos afogá-la na bebida.

Ela parece dar uma certa felicidade. Mas não dá. Ela simplesmente afoga a infelicidade, assim uma falsa felicidade é criada. Mas se você se tornar feliz, você parará de beber, porque, então, a bebida afogará a sua felicidade e o tornará infeliz. Então o processo inteiro se inverterá.

Assim, não pense nisso em termos de confissão. Isso não é um pecado. Existem erros na vida, falhas, mas nada é um pecado. E todo mundo tem que passar por muitos erros, porque esse é o único jeito de aprender e crescer.

Portanto, simplesmente aceite a si mesmo. Nestes últimos dias da sua vida não há necessidade alguma de criar qualquer conflito interior. Apenas aceite tudo o que está aí. Seja natural a respeito disso e não tente mudar a si mesmo por qualquer meio exterior.

Continue a meditar e muitas coisas começarão a acontecer. Quando elas acontecerem, então estará bem.

Se você continuar a meditar antes de abandonar esse corpo, ficará completamente livre da bebida e de outras coisas. Não há nenhum problema a respeito disso. Mas se você tentar deixá-las, nunca ficará livre. Você pode condicionar sua mente de um tal modo que na sua próxima vida poderá continuar bebendo.

Um conflito o divide. Uma parte quer beber e a outra lhe diz: "Não beba." É como se eu estivesse tentando travar uma luta entre minhas duas mãos. Algumas vezes, poderei deixar a mão direita vencer e, noutras, a mão esquerda, porque ambas são minhas. A vitória não é possível.

E é simplesmente tolice lutar, porque as duas são você. A parte que bebe e a que diz que gostaria de deixar a bebida ou que se sente culpada, ambas são você.

Não divida. A divisão não leva a lugar algum. Cria fricção e dissipa a energia. Nesses últimos dias de sua vida, você precisará de mais energia, por isso a dissipação não será boa. E é tolice também. Nunca ajudou ninguém.

Assim, simplesmente aceite as duas e deixe que sejam uma só. Simplesmente diga: "Este é o jeito que eu sou." Não faça disso uma confissão, porque a própria palavra carrega algum tipo de culpa em si. Não há necessidade de confessar. Esse é o jeito que você é, ou é o jeito que Deus o fez, e você o aceita.

Toda a minha ênfase é na meditação, não no caráter, porque o caráter é uma coisa exterior. Se o interior muda, o exterior o acompanha, mas não vice-versa. Você pode mudar o exterior, mas o interior não o acompanhará, porque o interior é mais poderoso do que o exterior. É como quando você caminha e sua sombra o segue. O caráter é como uma sombra.

Mas o inverso não é possível - a sombra caminhar e você segui-la. Isso não é possível. A sombra não pode caminhar, em primeiro lugar. Em segundo, mesmo que ela caminhasse, não haveria necessidade alguma de você segui-la. Para quê?

Geralmente as religiões têm enfatizado o caráter. E é por isso que criaram a hipocrisia e nada mais. As pessoas não podem mudar o caráter - e a religião continua a forçá-las a fazerem isso. Assim, a única coisa possível, humanamente possível, é ter uma face e mostrar outra. Elas bebem e nunca dizem em público que fazem isso. Fazem coisas em sua vida privada e têm uma face pública.

Foi assim que a humanidade inteira tornou-se hipócrita - uma multidão de fingidos, não autênticos, falsos - e a responsabilidade é das igrejas, das religiões e dos padres.

Minha ênfase não é no caráter, em absoluto. Digo que o caráter tomará conta de si mesmo. Simplesmente tente contactar-se com seu centro mais profundo, com seu ser essencial. Isso é o mais fundamental. Uma vez que você esteja em contato com ele, as coisas começarão a mudar na sua vida - e sem qualquer esforço; essa é a beleza.

Se você mudar com esforço, será algo forçado. Será como se você estivesse forçando um botão de flor a se abrir. Você pode forçá-lo e ele se parecerá com uma flor, mas não será uma flor verdadeira.

Assim, deixe que o florescimento seja espontâneo; simplesmente medite.

Osho, em "O Cipreste no Jardim"
Imagem por bekkchen

6 comentários:

ORELHÃO disse...

Gostaria de dizer alguma coisa sobre a verdadeira situação

de várias pessoas que estão sendo exploradas em nome de

(DEUS)

Gilmar S.C disse...

Como de sempre, a Consciência Osho dando verdadeiros petardos em nossas consciências.

Milhões de pessoas mundo afora e por razões inumeráveis, mas todas ilusórias do ponto de vista Espiritual, enfrentam situações idênticas e que se encaixam perfeitamente no conteúdo desta postagem.

Resta-nos silenciarmos nossas mentes e apreender o que pudermos!

Namastê!

Anônimo disse...

Eu simplesmente acho incrível, fico sem palavras ao ver o quanto o amor e a compreesão de Osho é infinita! Quanto amor em suas palavras! Amor sem julgamento, sem condenação, um amor que ama e faz a gente mudar sem nos ferir. Admiro muito o Osho e toda vez que o leio algo em mim é curado para sempre! Obrigado Osho por ter vindo à Terra transmitir sua sabedoria e amor! E Obrigado ao Blog por ajudar e disseminar isso em nossos corações!

Namestê!

Anônimo disse...

As palavras de Osho sao um balsamo para as nossas angustias,e para o vazio ke mts vezes sentimos.Adoro os livros Dele,e suas palavras de Luz.

Anônimo disse...

M.Joao

Anônimo disse...

Se Osho tivesse nascido na Era de Jesus,tb ele teria sido morto como Este ,pois seria tb ele uma ameaça para o poderio ipocrita das Igrejas.....
M.JOAO.

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