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Medo da vida (parte 4)

Assim, nós não queremos a vida, queremos coisas mortas. Eis por que nós continuamos possuindo coisas. É difícil viver com uma pessoa; é fácil viver com coisas. Assim, nós continuamos possuindo coisas e coisas e coisas... É difícil viver com uma pessoa. E se nós temos que viver com uma pessoa, nós tentaremos fazer dessa pessoa uma coisa, nós não podemos permitir a pessoa.

Uma esposa é uma coisa, um marido é uma coisa. Eles não são pessoas, eles são coisas fixas. Quando o marido chega em casa, ele sabe que a esposa estará lá, esperando. Ele sabe, ele pode prever. Se ele quiser fazer amor, ele pode fazer – a esposa estará disponível. A esposa se torna uma coisa.

A esposa não pode dizer "não, hoje não estou com vontade de fazer amor". Não se supõe que esposas digam tais coisas. Não está com vontade!? Não se supõe que elas tenham vontade. Elas são instituições fixas – institutos. Você pode confiar no instituto; você não pode confiar na vida. Dessa forma, nós transformamos pessoas em coisas.

Olhe para qualquer relacionamento. No começo é um relacionamento de "eu" e "tu", mas, mais cedo ou mais tarde, ele se torna um relacionamento de "eu" e "aquilo". O "tu" desaparece e, então, nós continuamos esperando determinadas coisas. Nós dizemos: "Faça isto!" Você terá de fazê-lo. É uma obrigação; aquilo tem de ser feito mecanicamente. Você não pode dizer "eu não posso fazer isso".

Essa fixidez é o medo da vida.

Osho, em "O Livro dos Segredos"
Imagem por boskizzi

5 comentários:

Daniel Bolgheroni disse...

Fantástico. Todas as partes.

Laura disse...

Se uma esposa e um marido são isso, realmente não se amam, e deixaram de ser um eu e um tu um para o outro... E sem eu e tu não há amor...
Essa morte em vida também pode acontecer num namoro... Até mesmo num "caso extra-conjugal"... Não é a palavra "esposa" e "marido" que determinam essa atitude de vida...
Insistir tanto numa semântica fixa da expressão "marido e mulher" também é uma forma de congelamento...

Anônimo disse...

Imagine que eu leio Osho e percebo que sou um "marido" ou uma "esposa" e me vejo dentro dessa estrutura "casamento". Osho não está aqui para agradar, está aqui para escancarar aquilo que eu insisto em não ver. E cada vez que leio, nego. Não sou assim. Quer dizer, sou assim, mas o que tem ser assim? Para com isso Osho... eu não tenho medo, tenho coragem de ficar aqui engessado nessa estrutura cumprindo meu dever, meu papel na sociedade. É preciso coragem e muito amor para se sacrificar assim. Não é? Para de olhar assim Osho... Tenho medo.

AMAZÔNIA INFORMA disse...

Parabéns Osho, por eternizar tantas verdades em nossas mentes.
Concordo plenamente...até porque "eu" como eu já esperei do meu ex marido isso e ele não correspondeu e eu não gostei, porque naquele dia imaginei que o dever dele seria corresponder, mas pensando em esposa e marido no modo espiritual, sentimental, em algo sublime não deveríamos pensar assim, pois o amor não tem relógio nem filhos para segurá-lo, o amor é algo superior...pode ser uma vez ao ano fazer amor, desde que a entrega seja plena, um homem não consegue fazer amor com uma prostituta ou uma mulher vulgar pq o amor necessita do pleno e jamais seria pleno com uma pessoa oferecida ou vulgar na qual não daria para confiar sua intimidade total, seria algo momentâneo, esporádico.Portanto ao meu ver o casamento deve ser algo espiritual, superior as coisas daqui, verdadeira entrega de seres... não sei se vcs me entendem mas deve ser algo além de ofícios e protocolos.

Astrô disse...

Muito sensato Laura. O preconceito, qualquer que seja, é uma forma de estagnação. E desse modo nega as possibilidades do novo. A verdade, o aqui e o agora, independem de rótulos: casados, não casados, separados. Tudo bobagem.

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