Meditação da Rosa Mística, de Osho


A simbologia da rosa mística é que, se um homem cuida da semente com a qual nasceu, proporcionando-lhe o solo certo, a atmosfera e as vibrações certas, trilha um caminho certo no qual a semente possa brotar, então o supremo crescimento é simbolizado pela rosa mística - quando o seu ser floresce, abre todas as suas pétalas e libera a sua linda fragrância.

A Terapia de Meditação da Rosa Mística é um processo que leva três horas por dia e dura três semanas. É oferecido mensalmente como parte do programa Multiversity no Osho Meditation Resort em Puna, na índia, e também em muitos Osho Meditation Centers em todo o mundo. A pedido de Osho, as terapias de meditação são sempre conduzidas por um facilitador que foi treinado nesse processo no Meditation Resort.

Recomenda-se fazer ao menos três meses de Meditação Dinâmica de Osho antes de ingressar na Terapia de Meditação da Rosa Mística.

As instruções a seguir se referem à Meditação da Rosa Mística, que pode ser feita por indivíduos que já tenham participado da Terapia de Meditação da Rosa Mística.

Instruções


Esta meditação em três partes, com duração de 21 dias, pode ser feita por todos aqueles que já tenham participado da Terapia de Meditação da Rosa Mística. Você pode executá-la sozinho ou na companhia de amigos.

1. Instruções para o riso

O riso autêntico não possui uma razão. Ele acontece em você tão naturalmente como uma flor desabrocha em uma planta. Não possui motivo ou explicação racional. É misterioso, por isso seu símbolo é a rosa mística.

Durante sete dias, comece gritando “Iá-hu!” algumas vezes e depois ria sem motivo nenhum durante 45 minutos. Você pode ficar sentado ou deitado. Algumas pessoas acham que deitar-se de costas ajuda a relaxar os músculos do estômago e facilita a circulação da energia. Outras acham que cobrir-se com um lençol ou manter as pernas levantadas ajuda a provocar o riso, despertando o riso infantil que existe nelas. O importante é encontrar o seu riso interior, o riso sem motivo algum, portanto em geral os olhos permanecem fechados. Olhar para os companheiros rindo, contudo, também é uma ótima maneira de provocar o riso.

Deixe que seu corpo role ligeiramente de forma solta e relaxada, com a inocência da criança que existe dentro de você, e permita que seu riso seja completamente espontâneo.

Às vezes podem surgir bloqueios que foram alimentados durante séculos, impedindo seu riso. Quando isso acontecer, grite “Iá-hu!” ou comece a tagarelar (emitir sons sem nexo) até voltar a rir naturalmente.

Relaxe: no fim da etapa do riso, sente em silêncio, com os olhos fechados, durante alguns minutos. Mantenha o corpo imóvel, como uma estátua, reunindo toda a sua energia internamente. Continue
relaxando: relaxe o corpo totalmente, sem o menor esforço ou controle. Quando achar que está pronto, ainda sentado, endireite sua postura, ainda em silêncio, e observe durante 15 minutos.

2. Instruções para as lágrimas

Quando o riso terminar, você se sentirá preenchido de lágrimas e dor. Esta também é uma ótima oportunidade para se aliviar. Muitas vidas de dor e sofrimento irão desaparecer, se você puder se livrar dessas duas camadas que descobriu dentro de si.

Durante a segunda semana, comece dizendo “Iá-bu” algumas vezes suavemente, depois comece a chorar e permaneça assim por 45 minutos. Talvez você prefira um aposento em penumbra para ajudá-lo a encontrar sua tristeza. Pode ficar sentado ou deitado. Feche os olhos e rememore todos os sentimentos que possam ajudá-lo a chorar.

Permita-se chorar verdadeira e intensamente, limpando e aliviando o coração. Sinta todas as suas mágoas e infelicidades represadas irromperem, como um rio de lágrimas represado rompendo a represa e inundando tudo. Caso se sinta bloqueado ou sonolento depois de chorar durante algum tempo, experimente falar a esmo, tagarelando sem nexo. Balance o corpo para a frente e para trás ligeiramente ou repita o mantra “Iá-bu” algumas vezes. As lágrimas estão em você, não as impeça de correr.

Relaxe: ao fim da etapa de choro, sente em silêncio por alguns minutos e então relaxe, como fez depois do riso.

Durante essa semana de lágrimas, permaneça aberto a qualquer situação que possa provocar o choro. Sinta-se vulnerável.

3. Instruções para o observador na montanha

Durante a terceira semana, sente em silêncio por qualquer período de tempo que lhe pareça conveniente e confortável, e depois dance ao som de uma música leve e animada. Você pode sentar no chão ou usar uma cadeira. Mantenha a cabeça e as costas o mais eretas possível, os olhos fechados e a respiração natural.

Relaxe, fique atento, torne-se um observador no alto da montanha, testemunhando o que acontece. Esse processo de observar é a meditação - o que está sendo observado não é importante. Lembre-se que é importante não se identificar ou se deixar distrair pelo que acontece ou pelo que você vê - pensamentos, sentimentos, sensações, julgamentos.

Quando estiver sentado, toque um pouco de música suave à sua escolha e dance ao som dela. Deixe o corpo encontrar os próprios movimentos sozinho e continue observando enquanto se movimenta. Não se deixe levar pela música.

4. Algumas dicas úteis

• Durante um período completo de 21 dias, é melhor evitar outras meditações ou sessões catárticas (por exemplo, a Meditação Dinâmica ou a Kundalini, ou ainda sessões de respiração, liberação emocional e bioenergéticas).

• Quando fizer a Meditação da Rosa Mística em grupo, os participantes não devem conversar entre si durante a meditação.

• Muitas pessoas descobrem uma camada de raiva durante a semana do riso ou a semana de lágrimas. Não há necessidade de ficar preso. Experimente expressar a raiva balbuciando sons e fazendo movimentos com o corpo, depois volte ao riso ou às lágrimas.

Comemore o seu riso, comemore as suas lágrimas, comemore os seus momentos de vigília silenciosa!

Osho, em "Meditação: A Primeira e Última Liberdade"

Um dia a mente recua completamente


A mente tem muito medo de se abrir porque ela existe basicamente devido ao medo. Quanto mais destemida for a pessoa, menos ela usará a mente. Quanto mais medo ela tiver, mais usará a mente.

Você talvez tenha observado que, quando está com medo, ansioso, quando existe algo que o preocupa, a mente fica em primeiro plano. Quando você está ansioso, a mente fica muito presente. Do contrário, a mente não fica tão presente.

Quando tudo vai bem e não existe medo, a mente fica para trás. Quando as coisas dão errado, a mente simplesmente salta na frente e assume a liderança. Em tempos de perigo, ela vira líder. A mente é como os políticos.

Adolf Hitler escreveu em sua autobiografia, Mein Kampf, que você tem que deixar o país sempre com medo se quiser permanecer na liderança. Mantenha o país sempre com medo de que o vizinho vá atacar, de que existam países que estejam planejando um ataque, que estejam se preparando para atacar — continue criando rumores. Nunca deixe as pessoas sossegadas, porque quando estão sossegadas elas não se importam com os políticos. Quando as pessoas estão realmente tranquilas, os políticos perdem o sentido. Mantenha as pessoas com medo e o político será poderoso.

Sempre que há uma guerra, o político vira um grande homem. Churchill ou Hitler ou Stalin ou Mao — eles foram todos produtos da guerra. Se não houvesse uma Segunda Guerra Mundial, não haveria Winston Churchill e nenhum Hitler ou Stalin. A guerra cria situações, dá oportunidades para que as pessoas dominem e se tornem líderes. Com a política da mente acontece o mesmo.

A meditação não é nada mais do que criar uma situação em que a mente tenha cada vez menos o que fazer. Você fica tão sem medo, tão cheio de amor, tão em paz — fica tão satisfeito com o que quer que esteja acontecendo que a mente não tem nada a dizer. Então a mente logo vai ficando para trás, ficando para trás, tomando uma distância cada vez maior.

Um dia a mente recua completamente — e aí você se torna o universo. Você não fica mais confinado no seu corpo, não fica mais confinado em nada — você é espaço puro. É isso que é Deus. Deus é espaço puro.

O amor é o caminho rumo a esse espaço puro. O amor é o meio e Deus é o fim.

Osho, em "Coragem — O Prazer de Viver Perigosamente"
Imagem por Bob Prosser

Torne-se marionete nas mãos do não-eu


O caminho da meditação está acima do eu; sua base é a entrega.
Entregar o eu ao seu próprio não-eu.
Seja como se você não estivesse.
Oh, que benefício quando de abandona tudo para o não-eu!

Buda chamou esse fenômeno de anatma ou anata (o estado do não-eu).

Você tem de se transformar num marionete nas mãos do não-eu, e então tudo começa a fluir natural e espontaneamente, assim corno um rio fluindo para o mar ou como uma nuvem vagando no céu.
Lao Tzu chama isso de fazer pelo não-fazer.

Deixe-se de ser seu próprio mestre e torne-se um instrumento do desconhecido — é bobagem ser seu próprio mestre porque não há ninguém para sê-lo!

Não procure e você vai continuar acreditando nela.
Procure e não estará em nenhum lugar para ser encontrada.

O eu existe apenas em ignorância.
Ele é ignorância.
Em saber que não existe eu porque não existe aquele que sabe.

Então o saber é suficiente em si mesmo.

Osho, em "Uma Xícara de Chá"
Imagem por Send me adrift.