Ou confie ou mude


Eu ouvi que, certa vez, Winston Churchill foi convidado a falar em um pequeno clube de amigos. Todo mundo sabia que Churchill era alcoólatra e apreciava muito a bebida. O homem
que o apresentou, o presidente do clube, disse: “O senhor Winston bebeu tanto vinho até agora que, se nós vertêssemos tudo o que ele bebeu neste corredor, o nível alcançaria a minha cabeça”. Era um corredor grande, e ele estava só brincando.

Winston Churchill levantou-se, olhou para a linha imaginária, depois para o teto, que era alto, mostrou-se muito entristecido e disse: “Tanto ainda para ser feito, e tão pouco tempo para fazer!”.

Naquilo que diz respeito ao amor, ainda há tanto para fazer para todos e tão pouco tempo para fazer tudo. Não desperdice a sua energia lutando com o ciúme, com conflitos; mude, e mude amigavelmente. Procure em outro lugar a pessoa que o amará. Não se prenda a alguém que é errado, que não é para você. Não fique bravo, não se ganha nada com isso, e não tente forçar a confiança; ninguém pode forçá-la, nunca dá certo. Você perderá tempo, perderá energia e só se dará conta quando nada mais puder ser feito. Mude. Ou confie ou mude.

O amor sempre confia, ou se ele acha que a confiança não é possível, simplesmente muda de forma amigável; sem nenhum conflito, nenhuma briga. O sexo cria ciúme; procure, descubra o amor. Não faça do sexo o essencial, ele não é.

A Índia perdeu com o matrimônio arranjado; o Ocidente está perdendo com o amor livre. A Índia perdeu o amor porque os pais eram muito calculistas e espertos. Eles não permitiam apaixonar-se: isso é perigoso, ninguém sabe para onde conduzirá. Eles eram muito inteligentes, e por causa da inteligência a Índia perdeu toda a possibilidade de amar.

No Ocidente eles são muito rebeldes, jovens demais, não inteligentes, muito jovens, muito infantis. Eles fizeram do sexo uma coisa gratuita, disponível em todos os lugares. Nenhuma necessidade de descobrir o amor mais profundamente; desfrute o sexo e pronto.

Pelo sexo o Ocidente está perdendo: pelo matrimônio o Oriente perdeu. Mas se você está atento, você não precisa ser oriental, você não precisa ser ocidental. O amor não é nem oriental nem ocidental.

Continue a descobrir o amor dentro de você. E se você amar, cedo ou tarde a pessoa certa surgirá, porque um coração amoroso, cedo ou tarde, encontra um coração amoroso. Sempre acontece. Você achará a pessoa certa. Mas se tiver ciúme, você não achará, se está simplesmente atrás de sexo, você não achará, se você só vive em segurança, você não achará.

Osho, em "Um Pássaro em Voo: Conversas Sobre o Zen"
Imagem por yooperann

Somente quando não existe o meditador a meditação acontece


Em meditação, desfrute não fazer nada. Esteja em estado de perfeita passividade — então você estará em harmonia com o mundo.

As formas-de-pensamento dissolvem-se automaticamente porque elas não podem existir com a passividade total: elas são formas de uma mente viciada em atividade, e com elas o ego se dissolve — porque ele não pode existir sem formas-de-pensamento.

O ego não é nada mais que o centro de um redemoinho constantemente revolvendo formas-de-pensamento.

Permaneça na passividade, isto é, no estado absoluto de não-fazer, e a meditação se aprofunda a ponto de não existir mais o meditador; e lembre-se de que somente quando não existe o meditador a meditação realmente acontece.

Se você é, então não há meditação, e quando existe meditação você não é.

Osho, em "Uma Xícara de Chá"
Imagem por g-useppe

Jesus não é moralista


Jesus não é contra o amor, não é contra o sexo. Não é um puritano, um moralista.

Andei lendo outra noite algo que Dostoiévski disse: que os moralistas são sempre indivíduos amargurados. Parece ser uma observação absolutamente verdadeira.

Os moralistas são sempre indivíduos amargurados. Na verdade, só indivíduos amargurados podem se tornar moralistas. São tão amargurados que querem deixar os outros assim também. E a melhor maneira de deixar as pessoas amarguradas é fazê-las se sentir culpadas.

Jesus não é moralista. Seu brahamchary, seu celibato, tem uma qualidade totalmente diferente. Significa apenas que ele não tem mais interesse em se reproduzir no plano físico; tem interesse em se reproduzir no plano espiritual. Não gera filhos, gera discípulos. Cria mais moradas no mundo para Deus nelas entrar. Não cria corpos, cria almas.

Osho, em "A Flauta nos Lábios de Deus: O Significado Oculto dos Evangelhos"
Imagem por Dmitry Kichenko